No último dia 23 de outubro a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) lançou um novo modelo de avaliação e planejamento educacional que será incorporado ao PISA (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) e que muda drasticamente o foco da avaliação e do que precisa ser enfatizado nas instituições educacionais para que as mesmas consigam preparar efetivamente os alunos para os desafios do mundo de hoje. E nesse contexto é que entram as chamadas competências globais.

O mundo de hoje, líquido (Zygmunt Bauman), ou sujeito a uma compressão espaço-tempo (Stuart Hall), ou ainda uma aldeia global (Herbert Marshall McLuhan), é sem dúvida nenhuma mais conectado. As nações desenvolveram ao longo do tempo e por conta de uma conjuntura favorável (novas tecnologias, novas relações humanas e de trabalho, entre outros fatores) uma interdependência que hoje é praticamente impossível desmantelar. Bom ou ruim, essa interdependência demanda de todos, sem exceção, novas competências e habilidades para o sucesso dentro desse novo ecossistema global e interconectado.

Não pretendo delongar-me com um detalhamento das competências globais neste texto. Minha intenção é chamar atenção para que educadores e gestores escolares possam conhecer essas competências e, acima de tudo, saber se estão capacitados a preparar e desenvolver seus alunos para os desafios verdadeiros do mundo de hoje.

As competências globais envolvem conceitos construídos individualmente em relação principalmente à ideia do “outro”. Envolve empatia (que é um dos pilares da Inteligência Emocional de Daniel Goleman), conhecimento, percepção e entendimento intercultural (o conhecimento e respeito a outras culturas e outros pontos de vista), a noção de equanimidade versus igualdade e um protagonismo para a construção de ambientes coletivamente saudáveis e ecologicamente sustentáveis.

A dimensão cognitiva do PISA continua existindo. Mesmo nela, há claramente uma crítica ao ensino conteudista e descontextualizado, pois o objetivo é que os alunos interpretem textos e busquem a aplicação efetiva de conhecimentos adquiridos. Não há “decoreba” para o PISA. Mas a introdução de uma seção completa voltada às competências globais nos mostra a relevância do tema para o desenvolvimento de sistemas educacionais que efetivamente preparem seus alunos para os desafios do mundo de agora. Sem competências globais é possível afirmar que o sucesso de um indivíduo no mundo atual será extremamente difícil e caminhará por vias muito restritas.

Ninguém é uma ilha, já dizia John Donne no século XVII. Precisamos enquanto educadores e gestores escolares conhecer o PISA, a OCDE e as competências globais. E precisamos desenvolver currículos, metodologias e material humano para fomentarmos em nossos alunos essas que serão indubitavelmente as competências mais exigidas lá fora, para além dos muros da escola.

David Marsh, nosso colaborador exclusivo, em conjunto com um grupo de pesquisadores (incluindo este que vos fala) e com o apoio da Educluster Finland e da Realvi, está lançando um Position Paper atualizando conceitos educacionais e incluindo o tema das competências globais. É um documento simples, de fácil leitura, e será a primeira publicação de Marsh traduzida para o português. Em breve informaremos detalhes de como ter acesso a esse importante documento que pode ajudar muito os gestores escolares em suas decisões para uma realidade pós-pandêmica.

Porque o futuro é AGORA.

Para os que quiserem saber um pouco mais:

https://www.oecd.org/pisa/pisa-2018-global-competence.htm

https://www.oecd.org/pisa/aboutpisa/

https://www.oecd.org/pisa/pisa-for-schools/