Vivemos tempos bastante sombrios. Ceticismo para com a Ciência, crença em Terra plana, medo de vacinas, teorias estapafúrdias de conspiração, negação da realidade, radicalização de discursos e ações…

A chamada Era da Informação está se tornando paradoxalmente o momento em que a humanidade está ficando mais desinformada. Mentiras e verdades misturam-se, tornando quase impossível para o cidadão comum identificar o que é verdade e o que é mentira. E isso é assustador e preocupante, pois quem detém o poder econômico pode com isso manipular fatos e “transformar” mentiras em verdades, arrebanhando multidões que acreditam nessas falácias. E que podem reagir de forma impensável e imprevisível, em pleno século XXI.

Bem, somos educadores. Qual a nossa responsabilidade perante esse cenário? Ou não temos nenhuma responsabilidade? Como podemos reverter esse quadro de absoluto retrocesso em que nos encontramos?

A escola, é bom que se diga, está perdendo o bonde da evolução.

De detentora dos padrões e guardiã das tradições e dos costumes, além de fonte primordial de informação e conhecimento, a escola com o passar do tempo foi diminuindo sua influência na sociedade. A informação passou a ser universalizada, tradições e costumes cada vez mais são questionados e atualizados, mas a escola não acompanhou esse processo.

É hora da escola retomar esse papel de preparar as novas gerações para o mundo real. Mas para isso ela precisa entender esse mundo real e antecipar-se a ele. E os educadores precisam entender a importância de suas ações no contexto em que nos encontramos.

Educar hoje é muito mais do que fazer o aluno decorar fórmulas, datas, nomes e fatos. Educar é garantir a crença do aluno na Ciência. É fazê-lo entender e dominar as novas tecnologias, usando-as efetivamente em sala de aula. É dar ao aluno estratégias e ferramentas para que ele possa discernir o que é fato do que é fake (pensamento crítico). É fazer o aluno entender que ele vive em um sistema, onde o que um faz afeta a todos (pensamento sistêmico de Peter Senge). É desenvolver no aluno a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro (inteligência emocional de Daniel Goleman). E acima de tudo fomentar o protagonismo do aluno. Ele precisa agir e reagir no mundo em que vive, porque pode sim transformar a sua realidade.

Uma escola por exemplo que proíbe celulares em sala de aula, simplesmente porque ainda não sabe o que fazer com eles na sala, precisa refletir sobre si mesma e sobre o quão anacrônica está se tornando, e com isso o quanto está se distanciando de sua razão de ser, o aluno. O aluno de hoje precisa dominar o mundo virtual, as realidades virtual, aumentada e mista. Precisa saber programar. E precisa dominar o idioma do mundo, o Esperanto que deu certo: a língua inglesa. A escola não pode fugir dessa responsabilidade. O mundo do aluno é digital; a escola precisa digitalizar-se no menor tempo possível para acompanhar o hoje, o AGORA.

Educadores, gestores escolares, mantenedores e familiares, unidos, podem reverter um possível futuro sinistro, capacitando as novas gerações para que possamos combater as mazelas de uma sociedade que está sim, doente, mas que pode se reerguer e se reinventar.

Por mais difícil que seja empregarmos nossos esforços nisso, se não for pela Educação, nosso futuro não terá nenhuma perspectiva de mudança para melhor.