No momento atual, em especial pensando em um mundo com e pós-pandemia de COVID-19, é extremamente desafiador falar em futuro e tendências. Contudo, em um ambiente como a educação básica, onde ainda majoritariamente é adotado o “modelo de fábrica” e mudanças são lentas e difíceis de ocorrer (falarei um pouco mais sobre isso em um post futuro), a adoção de soluções tecnológicas está e será feita não só por inovação ou necessidade, mas também por obrigação. Nesse contexto, precisamos determinar premissas e parâmetros para adequação do ensino básico ao uso e desfrute da tecnologia sempre pensando em utilizá-la como ferramenta para melhoria do processo de aprendizagem.

Escola do futuro, escola do século 21, sala de aula 2, 3, 4.0 (ou qualquer outro número que alguém queira cravar) … muitos são os termos que buscamos dar ao “exercício de futurologia” aplicado à escola. Não irei usar nenhum desses termos (nem criar outros), mas sim seguir algumas premissas em que acredito que qualquer tecnologia ou solução deve estar/conter:

  1. Centrada no aluno
  2. Ser fácil e rapidamente utilizável, sem dificuldade ou barreira de treinamento, tanto por professores quanto por alunos (plug & play)
  3. Gerenciável do ponto de vista escolar (custo e resultados acadêmicos)

O aluno como centro

Acredito que o professor como centro é um dos grandes detratores da evolução da educação! Se tomarmos como base o modelo atual de educação em massa com 1 professor para 10, 20, 30 ou até mais alunos, é impossível que tenhamos uma mudança do paradigma do professor como centro para aluno como centro. Isso necessariamente acarretaria que não haveria controle se os alunos recebessem ou executassem as informações que são necessárias.

Nesse contexto, a tecnologia pode facilmente garantir que cada aluno receba a informação e a execute individualmente ou em grupos do modo que foi planejado, sem a necessidade de um acompanhamento ativo do professor. Pode proporcionar mais ainda, adaptando o conteúdo a necessidade específica de cada aluno fazendo com que se transforme em uma aula 1:1 ao invés de 1:30 (professor:aluno).

Ser fácil e rapidamente utilizável (plug & play)

Uma das grandes barreiras para adoção de tecnologia nas escolas é o professor/escola estar capacitado e apto a utilizar e gerenciar isso aos alunos. Em um mundo onde os “manuais de instrução” estão sendo extintos e usuário aprende como funcionam apps por meio do próprio uso, não faz sentido termos ferramentas que não sejam triviais para a maioria dos usuários ou que uma simples conversa não seja suficiente para as pessoas com mais necessidade de acompanhamento.

Nesse sentido, a grande mudança está nos treinamentos remotos e também no uso guiado dos apps, onde a dificuldade e o número de opções de uso vai crescendo com o avanço dos usuários. Não precisamos mais de uma semana de treinamento para professores, de um dia de aula, do aluno ler um livro ou manual de instruções: baixar um app ou uma simples conversa tem que ser o suficiente.

Gerenciável do ponto de vista escolar

A rápida evolução tecnológica não traz consigo apenas a inovação em si, mas o barateamento das soluções e processos. Computadores, smartphones, apps … tanto hardware quanto software estão cada vez mais acessíveis, mesmo para ambientes onde preço é um grande impeditivo.

Plataformas e apps customizáveis para a necessidade de cada pessoa são o grande segredo para que uma solução aparentemente muito cara seja atingível mesmo no ensino em massa. A experiência customizável transforma algo que se considerado em separado (para uma única escola) seria inimaginável, para completamente possível quando aplicado em larga escala.

Esses são os 3 pontos que julgo obrigatórios no que virá e será utilizado nas escolas, sempre começando pelas mais inovadoras, onde já estão sendo utilizadas várias ferramentas e apps nesse sentido. Um fator muito importante para se considerar é que uma solução, mesmo que faça excepcionalmente bem um desses 3 pontos. Nesse sentido não ter um dos pontos fará com que a solução seja apenas “legal ou interessante” (por exemplo, uma solução que torne possível o aluno como centro a partir do ensino adaptativo, mas seja um material acessório diferente da BNCC ou da escola, ou não seja uma solução completa, no estilo plug & play), enquanto a busca deve ser pelas “soluções que precisamos e devemos ter”, aquelas que tornam possíveis os desejos de melhorias na escola, considerando que cada uma é diferente assim como cada professor e cada aluno.