A entrevistada do mês é uma empreendedora que ampliou seu negócio justamente quando a pandemia nos acertou em cheio. Patrícia Campos é mantenedora e diretora do Colégio Degraus de Jundiaí, que recentemente abriu uma nova e belíssima unidade em Itupeva, interior de São Paulo.

Formada em Administração de Empresas e Comércio Exterior, Pós-Graduada em Psicopedagogia – pela Universidade São Judas Tadeu/SP com cursos de extensão em Educação pela UNICAMP, Patrícia é também consultora em Gestão Escolar pela Fundación Chile. Realizou intercâmbios e vivências em escolas na Argentina (Aletheia/Fabulinus/Olivos del Sol) e Estados Unidos (L’atelier-Miami/ Freedom High School – Orange County) conhecendo as experiências educativas destes países. O Degraus tem um histórico de buscar estar sempre à frente de seus concorrentes, buscando metodologias modernas e tecnologias diferenciadas para a Educação. Talvez por isso Patrícia tenha decidido tornar o Colégio Degraus um dos primeiros parceiros da Realvi.

Como a escola tem se organizado com as novas demandas provenientes da pandemia? Como foi a migração para o 100% digital?

Como gestora, os desafios para organizar tantas esferas do âmbito escolar e dar continuidade ao oferecimento de ensino de qualidade em um novo formato foi algo que requisitou ações rápidas, num trabalho muito intenso durante as primeiras semanas do isolamento e consequentemente para as atividades remotas.

A escola já vem utilizando da tecnologia em sala de aula por em torno de 7 anos, por meio de um sistema de ensino que favorece ao professor trabalhar com aulas interativas, utilizando de plataforma com conteúdos advindos de parcerias como Apple Education, Discovery e History Channel, Revista Scientific American, WWF, Unesco, entre outros, o que viabilizou migrar o ensino presencial para o ensino remoto.

No entanto, mesmo já utilizando recursos digitais, não tínhamos uma plataforma eficiente para envio de dados por parte dos estudantes, e então precisamos buscar uma solução que atendesse à estas necessidades.

Fomos em busca de nos adequarmos, conforme as famílias iam nos dando seus feedbacks do que estava funcionando e do que não estava. Com a Realvi, essa migração foi mais tranquila, uma vez que o programa já tem em seu cerne a tecnologia presente e efetiva. Fazemos as aulas em etapas, primeiramente e por meio de videoconferência nosso professor traz e sistematiza o conteúdo; após, os estudantes tem momentos ricos com uso do VR (Realidade Virtual) e AR (Realidade Aumentada) para consolidar o conhecimento. O interessante é que, por estar alinhado à BNCC, os estudantes conseguem fazer mais conexões no processo de ensino-aprendizagem.

Agora, com tudo on-line, é tempo de pensar no retorno. Estamos nos organizando com os protocolos de higiene e saúde para a retomada, e há investimentos também neste sentido, para além daqueles considerados normais.

Quais os maiores desafios que a escola vem enfrentando nesse período?

Um dos primeiros desafios foi a dificuldade para as famílias operacionalizarem o estudo em casa. Antes a operacionalização para o estudo acontecia na escola, a organização do espaço, dos ambientes, os recursos materiais e digitais e até mesmo as orientações dos professores para os estudantes. 

A problemática que o isolamento trouxe às famílias como por exemplo conciliar os computadores disponíveis para o trabalho dos pais e os estudos de mais do que um filho, capacidade de internet, celulares e tablets incompatíveis com alguns aplicativos, foram pontos dificultadores e ainda hoje estão fazendo o possível para conseguirem que seus filhos participem das aulas.

Outro desafio foi o de fazer uma boa dosimetria para as atividades on-line, considerar o tempo de uso de tela pelas crianças menores, tempo de concentração, reorganização dos objetivos de aprendizagem e conteúdos para esta nova modalidade. Hoje os desafios são os de manter a atenção dos estudantes por tempo prolongado, assim como já o era no modo presencial, porém há uma dificuldade de acesso dos professores à estes estudantes, pela própria limitação visual.

Colégio Degraus Jundiaí

Um outro desafio diz respeito à avaliação das aprendizagens. Aplicação de testes neste contexto não traz muitos indicativos da aprendizagem dos estudantes, uma vez que sabemos que existe uma cultura de “cola” e os testes digitais não garantem, pelo contrário, facilitam que as “colas” aconteçam e assim as escolas precisaram reorganizar suas formas de avaliar para que ela realmente evidencie tais aprendizagens.

Buscamos alternar nossas avaliações entre formativas e somativas, pois consideramos que as duas tem sua devida importância no processo do ensino e aprendizagem, e os professores precisaram se debruçar em estudos para que pudessem encontrar mecanismos de realizar uma prova que desse conta de medir esta aprendizagem, e que não fosse meramente para atribuir uma nota.

Talvez o maior desafio de todos seja referente à educação infantil, pois acreditamos muito na importância das vivências das crianças, no convívio com o outro, nas experimentações, então temos feito muitas propostas para que os pais desenvolvam em casa com os filhos, mostrando principalmente como o cotidiano é importante para diferentes aprendizagens.

Traduzimos os campos de experiências em uma linguagem prática para as famílias compreenderem sobre a infância e como propostas simples podem contribuir muito para o desenvolvimento das crianças, como: o cuidar de si, a higiene pessoal, o se alimentar, o organizar os ambientes, o tempo das refeições, o tempo do descanso, da leitura, da contação de história, dos jogos, a experimentação de sabores, cores, sons, texturas. Mas todas estas experimentações e atividades requerem a parceria das famílias, e neste momento em que conciliam trabalho e afazeres domésticos nem sempre é possível,  o que faz da escola o espaço ideal para que muitas destas vivências, que são planejadas e preparadas, aconteçam.

Colégio Degraus Itupeva

Olhar e cuidar da saúde emocional e comportamental de todos os envolvidos neste processo, neste momento, é fundamental. Sabemos que cuidar das emoções e sentimentos é algo imprescindível para mantermos um equilíbrio harmônico durante este período e no retorno às atividades presenciais. As crianças e adolescentes agora se deparam com seus pais trabalhando em casa, e precisam aprender novas regras sobre como se posicionar quando precisam de seus pais e eles estão em reunião por exemplo. Também se deparam com o distanciamento físico dos professores, e a falta do “olho no olho” diário, uma “mão no ombro”, uma conversa mais individualizada sobre procrastinação por exemplo ou sobre seus objetivos e sonhos, tem impactado negativamente o desenvolvimento e desempenho de alguns. Os pais também, aprendendo a lidar com esta operacionalização para os estudos dos filhos, adequar as rotinas e atender à várias demandas que antes não eram necessárias. Professores que precisaram adaptar seu espaço e compartilhá-lo com estudantes e pais, que algumas vezes confundem seus papeis e se colocam como docentes.

O que ficará de aprendizado para a sua escola?

Acredito que nas dificuldades as pessoas se reinventam, e isso não foi diferente com esta pessoa jurídica, a escola. Pudemos conhecer os esforços valorosos dos professores neste momento de reinvenção de suas práticas e valorizar esta profissão como nunca antes.

Confirmamos que a comunicação e o diálogo são essenciais para manter o equilíbrio em todas as relações e a escuta e o acolhimento da forma a qual vivenciamos nos últimos meses garantem que os princípios e valores da instituição não são apenas slogans publicitários. Evidenciamos que as famílias necessitam de formação para acompanhar o desenvolvimento dos filhos, e que a escola é o espaço mais adequado para que este tipo de formação aconteça.

Para finalizar…

Acredito que as relações entre todos fiquem mais próximas e humanas, pois neste momento não há como não olhar para as necessidades individuais e acolhê-las da melhor forma possível. Assim, esta relação escola x família com certeza nunca mais será a mesma e só temos a ganhar.

Complicado será o retorno sem o toque, os abraços, o colo, o aconchego… uma adaptação difícil, porém necessária, e esperamos que encontremos soluções criativas, mais uma vez, para este momento passageiro!