Recentemente observou-se um grande aumento de escolas bilíngues no Brasil.

Estima-se que haja por volta de 1.500 escolas bilíngues no Brasil, atendendo por volta de 300.000 alunos.

Esse número representa aproximadamente 3% das escolas privadas brasileiras, algo bem distante de países vizinhos como Chile e Argentina onde esse número é em torno de 10%.

Essa diferença só mostra que o ensino bilíngue no Brasil está apenas começando e tem potencial para pelo menos triplicar de tamanho nos próximos anos.

Mas o que seriam as escolas bilíngues?

Até pouco tempo atrás, a legislação educacional brasileira só regulamentava a “educação indígena”, a “educação bilíngue em escolas de fronteira” e a “educação especial de surdos”. Entretanto, diversas escolas que não se enquadravam em nenhum dos dois tipos acima, mas que queriam se diferenciar quanto ao ensino de língua estrangeira, passaram a se chamar de bilíngues.

Bem, para explicar isso, é preciso ampliarmos um pouco o espectro e entender os tipos de escolas em nosso país.

De forma resumida, temos:

Escolas regulares – são a maioria das escolas brasileiras, que apenas tem aulas de inglês de modo a cumprir a grade curricular. Utilizam metodologias baseadas em gramática e suas aulas são bem parecidas com as aulas de escolas de inglês.

Escolas regulares com programas bilíngues – são escolas que normalmente tem uma carga horária de língua estrangeira um pouco maior e utilizam um “Programa Bilíngue” durante as aulas de inglês. A metodologia geralmente utilizada é o CLIL.

Escolas bilíngues – são escolas que tem parte de suas disciplinas lecionadas numa outra língua, seguindo a BNCC.

Escolas internacionais – são aquelas que se utilizam de um currículo internacional, ou seja, não seguem a BNCC. É como se elas seguissem a “BNCC” de outro país. As aulas nas escolas internacionais são dadas na língua do país do currículo.

Apenas ler as descrições acima, pode te deixar confuso quanto a que define uma escola bilíngue. E sim, é confuso mesmo!

Muitas escolas têm se intitulado bilíngues, mas pouco diferem de escolas regulares. Não à toa, esse ano o CNE publicou um parecer sobre educação bilíngue no Brasil com definições e exigências para que uma escola possa ser chamada de bilíngue.

Como o intuito desse post não é falar sobre o parecer, não vou me estender em suas minúcias, mas deixo o link aqui para quem quiser se aprofundar (parecer do CNE sobre educação bilíngue).

O que é importante observarmos nisso tudo é a importância desse parecer do CNE. Ele indica que o ensino de idiomas no Brasil está próximo de experimentar uma revolução.

Por exemplo, uma das metodologias propostas pelo parecer, o CLIL (Content and Language Integrated Learning), é a abordagem utilizada desde a década de 90 nas escolas europeias.

E como é bastante sabido, os níveis mais altos de proficiência na língua inglesa como segunda língua é na Europa. Aliás, você sabia que quase não existem escolas de inglês por lá?

Pois é, o aluno sai da escola regular lá na Europa na maioria das vezes falando em inglês.

Para nossa sorte, nos próximos anos veremos um intenso movimento de transformação das escolas regulares em escolas bilíngues. E no Brasil, quando a moda pega, ninguém segura.

Estimamos que em 2022 teremos 4.500 escolas bilíngues no Brasil, atendendo por volta de 1 milhão de alunos. Isso significa um aumento de 700.000 alunos ou 3.000 escolas tendo acesso a um ensino de idiomas diferenciado. Em 5 a 10 anos, deveremos ter um salto na proficiência do inglês do brasileiro. E você, vai transformar sua escola em bilíngue?