Muitas vezes, o/a professor/a pode ter um pouco de receio em utilizar textos em inglês que não foram produzidos para o aprendizado dessa língua, ou seja, textos que tem circulação social com propósitos reais. Mas, de acordo com Schlatter e Garcez (2012),  a razão de termos aulas em inglês é a de superar essa limitação. Os autores sugerem algumas práticas que podem auxiliar o professor nesse sentido:

  • Iniciar o trabalho com textos mais curtos ou como textos que contenham uma quantidade razoável de cognatos.
  • Trabalhar com texto completos, ou seja, sem adaptações. Se o texto for longo ou difícil demais, o professor pode dirigir perguntas para que o estudante busque o que é relevante no texto para o projeto.
  • Elaborar tarefas que auxiliem o aluno a enfrentar o texto, como por exemplo: construir estratégias de compreensão do texto para excertos específicos, elaborar tarefas que tenham como foco o trabalho com vocabulário específico para o entendimento de algumas passagens do texto, orientar como os estudantes podem tomar notas ou elaborar mapas mentais que facilitam a compreensão e a recuperação de informações no texto.

Além dessas práticas, o trabalho com estratégias de leitura é imprescindível a formação de leitores em língua inglesa.

As estratégias de leitura são esquemas flexíveis que os leitores constroem para adquirir a informação, e para facilitar o processo de compreensão em leitura. Griffith e Ruan (2005, p.5) explicam que, para a leitura, o leitor faz uma série de escolhas para compreender o texto, como por exemplo “quando reler uma porção do texto, quando e que tipo de inferência fazer, que informação de importância reter na memória e que informação de menor importância descartar, quando retomar a leitura do texto e em que proporção”. Os autores destacam algumas características de um leitor competente relacionadas às diferentes fases da leitura:

(i) antes da leitura

  • folheia o texto para obter informação sobre a extensão e estrutura do texto;
  • tem em mente os objetivos daquela leitura e ativa seu conhecimento prévio sobre a temática.

(ii) durante a leitura

  • lê seletivamente, decidindo o que é relevante e irrelevante para seus objetivos de leitura.
  • identifica as ideias principais;
  • antecipa eventos e faz inferências;
  • interpreta e avalia;
  • integra ideias a partir de uma representação coerente do texto;

 (iii) após a leitura

  • revisa e reflete sobre o que leu;
  • revê o texto por meio de estratégias específicas
  • continua a processar o texto baseado nas metas de leitura.

Focalizaremos, neste texto, em três estratégias de leitura  (MENEGASSI, 2005) que possibilitam aos estudantes oportunidades de construção de competências leitoras importantes.

Antecipação: criação de hipóteses e previsões sobre os sentidos implícitos e explícitos do texto. Para o trabalho com a antecipação em sala de aula, deve-se ativar o conhecimento prévio do aluno sobre o tema ou sobre o gênero abordado. O professor pode lançar algumas perguntas que tenham a função de ativar o conhecimento prévio dos alunos e possibilitar a formulação de hipóteses em relação ao que será lido. Essas hipóteses  representam o começo da compreensão do texto e serão ou não confirmadas durante a leitura.

Seleção: seleção apenas do que lhe é vantajoso ou necessário de acordo com os objetivos traçados para a leitura. Desse modo, o leitor rejeita passagens de pouca ou nenhuma importância de acordo com seu interesse ou necessidade naquele momento. Para tanto, o professor deve deixar claro para o aluno qual é o objetivo de cada leitura. Isso pode ser feito por meio de perguntas ou de tópicos aos quais os estudantes devem se deter. Esses recursos devem ser apresentados e discutidos com os estudantes antes da leitura do texto. O professor pode solicitar que os estudantes grifem as partes selecionadas, completem um mapa mental ou mesmo elaborem um resumo que se relacione com as questões propostas para a leitura. É importante que as seleções feitas pelos estudantes sejam discutidas com a turma para que eles compreendam esse processo e sejam orientados para selecionar apenas o que precisam naquele momento para dar conta da tarefa proposta.

Inferência: ações que aproximam a informação não explícita no texto a partir de informações que o leitor já tem sobre o assunto ou pistas que o texto apresenta. Podemos fazer a analogia com uma ponte de sentido que o leitor cria com o texto. Para que os estudantes desenvolvam estratégias relativas à inferência, o professor pode formular questões inferenciais sobre o textos. Essas questões tratam de perguntas em que as respostas não estão explícitas no texto, mas em suas entrelinhas.

O desenvolvimento de estratégias de leitura deve ser planejado por nós, professores e professoras e, desse modo, ser alvo de instrução explícita ao longo do processo pedagógico.