Antes que a COVID-19 mudasse drasticamente a vida de todos nós, o primeiro dia de aula era praticamente um ritual, o início de uma jornada com o mesmo ritmo e formato que perdurava por gerações. Com a emergência, veio a necessidade de adaptação e a ruptura desse ritmo e formato. A resposta a essa nova realidade de busca e passagem do conhecimento humano foi o uso daquilo que o próprio conhecimento humano gerou (mais aceleradamente) nas últimas décadas: a tecnologia.

No ensino fundamental e infantil, aulas começam (começavam) e terminam (terminavam) ao “som de um sino”. Com a pandemia, essa lógica, pelo menos temporariamente, foi interrompida. A resposta de aulas remotas à COVID-19 demonstrou mais uma vez o quanto a tecnologia pode ajudar como ensinamos e aprendemos. Mas como disse, foi “mais uma vez”: há vários anos diferentes abordagens vem sendo testadas, desde aulas remotas, passando por conteúdos para que o aluno estude sozinho, até a mudança em avaliações. Essa emergência também nos mostra como precisamos preparar a nossa “linha de frente”, os professores, para lidarem com mudanças, o uso de tecnologias e conseguirem engajar os alunos (novos processos/métodos de avaliações e engajamento serão inclusive tópicos de próximos posts meus aqui no blog). Boa parte de nossos educadores está tentando se capacitar rapidamente para lidar com essa emergência. Minha sugestão aqui é uma só e geral, mas é exatamente o que fazemos na Realvi: procure um parceiro que saiba usar a tecnologia, consiga se adaptar a realidade de sua escola e faça isso de maneira rápida e simples, estilo “Plug and Play”.

Pico mundial de escolas fechadas (fonte: UNESCO)
Cenário atual de escolas fechadas (fonte: UNESCO)

A volta às aulas presenciais já está acontecendo ao redor do mundo e acontecerá no Brasil em breve. O mais importante é que consigamos aprender com a emergência. A preocupação com a saúde certamente irá ocupar o espaço central neste momento e junto com ela as práticas adotadas durante a emergência devem de alguma maneira continuar. Resumindo em uma única frase (que não é completamente original minha, mas sim retirada de vários pensamentos de autores/escritores e associadas à minha convicção), o que acredito que seja importantíssimo e não pode mais ser adiado: “Estudantes devem ter acesso a aprender de forma flexível, engajante, colaborativa, dentro e fora da sala de aula, em seu próprio ritmo e de maneira personalizada”. Muitos pontos com certeza, mas todos já possíveis e acessíveis.

O que vem depois é sempre incerto mas, na minha opinião, existe um ponto central. Aquele ritual que perdura por gerações não pode continuar, e devemos ter o mundo real como parte do processo de aprendizado. Se a tecnologia inundou nossas vidas nas últimas décadas, é quase impensável que ela não faça parte também do dia-a-dia escolar e que não tenhamos repostas a alguns movimentos que acontecem no mundo, como por exemplo:

  • Profissões baseadas em tarefas repetitivas estão rapidamente sendo extintas => devemos cada vez mais enfatizar tarefas criativas
  • Informação está disponível a partir de uma única “busca no Google” => temos que focar mais em “saber o que perguntar” do que “decorar informações”
  • Manter-se atento por longos períodos está cada vez mais difícil para os jovens => a reposta são atividades rápidas, dinâmicas, de maior engajamento e que sejam personalizadas de acordo com o “gosto pessoal”
  • Os muros da escola não serão parte do ritual de aprendizagem => Devemos tornar possível ao estudante adquirir o conhecimento de forma individual, onde estiver.
  • As fronteiras geográficas significam cada vez menos => Por que não fazer com que nossos alunos façam um projeto em conjunto com escolas de outro continente?

Entender a situação atual e dar um passo a frente é realmente um desafio enorme. A emergência e a volta não são de modo algum uma muralha, mas sim parte da estrada. Em crises como essa também abre-se uma janela de oportunidade única para inovações, de começar a tornar real sonhos que o ritual fazia com que fossem quase impossíveis e de trazer o mundo real ao dia-a-dia do lado de dentro dos muros da escola.