A avaliação da aprendizagem não pode ser dissociada do processo pedagógico e, segundo Bonesi e Souza (2006, p. 146), seus “campos de abordagem refletem a metodologia trabalhada”. Desse modo, o trabalho com a língua como prática social requer que o professor compreenda as modalidades de avaliação e suas respectivas funções nas diferentes etapas do trabalho (MIQUELANTE et al., 2017). Isso significa que a avaliação deve estar em consonância com as concepções de língua/linguagem e de ensino-aprendizagem empregadas pela escola.

É importante, também, que o professor compreenda as diferentes modalidades de avaliação e suas respectivas funções para que possa analisar as contribuições que cada uma delas oferece para o processo de aprendizagem dos estudantes. De acordo com Haydt (2008), podemos destacar três modalidades de avaliação – diagnóstica, formativa e somativa –, cada uma com sua função: diagnosticar o conhecimento prévio dos estudantes, controlar as aprendizagens e o percurso pedagógico proposto e classificar os estudantes em relação ao seu aprendizado, respectivamente.

  A avaliação diagnóstica é realizada no início de um percurso pedagógico. Como o próprio nome sugere, essa modalidade de avaliação possibilita a definição de um ponto de partida para o estudo de um tema por meio de um diagnóstico. A esse respeito, Bloom et al. (1983) explicam que a avaliação diagnóstica tem a função de verificar o que os estudantes já sabem e/ou quais são suas maiores dificuldades acerca do tema que será estudado. Por meio desse diagnóstico, o professor pode identificar o conhecimento prévio dos estudantes em relação aos objetos de conhecimento que serão abordados e, com isso, (re)planejar o percurso para que os estudantes tenham a oportunidade de praticar os elementos linguísticos e discursivos que ainda desconhecem.

A avaliação formativa, por sua vez, é processual e permite ao professor interagir com os estudantes ao longo de todo o processo pedagógico, auxiliando tanto os estudantes, que podem compreender no que precisam avançar, quanto o próprio professor, que tem a possibilidade de reorientar suas práticas e estratégias com base nas necessidades de seu grupo. Miquelante et al. (2017, p. 269) explicam que a avaliação formativa “tem a função de fornecer um feedback informativo à medida que o aluno evolui ou apresenta dificuldades nas etapas de estudo dos componentes considerados importantes na unidade de aprendizagem”. 

A definição de avaliação somativa foi cunhada por Scriven (1966). O autor explica que essa modalidade de avaliação tem como objetivo verificar a aprendizagem dos estudantes ao final de um percurso pedagógico. Miquelante et al. (2017, p. 271) explicam que o objetivo da avaliação somativa é verificar “em que grau os objetivos preestabelecidos foram atingidos”. As autoras esclarecem que, no contexto escolar, essa modalidade de avaliação geralmente é realizada ao final de um período, que pode ser uma unidade de ensino, uma sequência didática ou um período letivo, para atribuir notas, emitir certificados, fazer avaliações de progresso ou medir a eficiência de um currículo. Normalmente, é atribuída uma nota ou conceito para essa avaliação, o que permite classificar um estudante em relação ao seu aprendizado. Miquelante et al. (2017) apontam, também, que a avaliação somativa recebe muitas críticas porque não é processual e, com isso, não permite a regulação da aprendizagem ao longo do percurso, já que é centrada apenas nos resultados. No entanto, Silva (2011) esclarece que a avaliação somativa possibilita ao sistema educacional dar uma devolutiva à sociedade acerca dos resultados obtidos ao término do percurso pedagógico.

Em suma, as avaliações diagnósticas, formativas e somativas têm diferentes funções ao longo de um percurso pedagógico. A avaliação diagnóstica se propõe a mapear os conhecimentos prévios dos estudantes no início de uma sequência didática ou de um projeto, por exemplo. A avaliação formativa deve ser empregada ao longo do percurso para reorientar o planejamento e posicionar os estudantes quanto a sua aprendizagem. Finalmente, a avaliação somativa é aplicada ao término de um processo pedagógico e tem como objetivo verificar a aprendizagem final dos estudantes. Desse modo, o professor/a deve articular essas três modalidades de avaliação para contribuir com as aprendizagens de seus estudantes e, assim, planejar percursos que atendam as suas necessidades.

Referências

BLOOM, B. et al . Manual de avaliação formativa e somativa do aprendizado escolar.  São

Paulo: Livraria Pioneira, 1983.

BONESI, P.; SOUZA, N. Fatores que dificultam a transformação da avaliação na escola. Estudos em avaliação educacional , v. 17, n. 34, p. 129-153, maio/ago. 2006.

HAYDT, R. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem.  São Paulo: Ática, 2008.

MIQUELANTE, M. et al . As modalidades da avaliação e as etapas da sequência didática: articulações possíveis. Trabalhos em linguística aplicada , v. 56, n. 1, p. 259-299, jan./abr. 2017.

SCRIVEN, M. The Methodology of Evaluation. Social Science Education Consortium, v. 110, p. 1-58, 1966.

SILVA, D. P. da. A avaliação somativa nas sequências didáticas para o oral e a escrita em português.  Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2011.